Transito ruim, transito,
Sinal, tunel,
Pressa de lugar nenhum.
Aquela chuvinha fina
Cortando o ar feito gilete
A tijuca é longe,
Você é mais.
Nenhum email
que valha a pena ser lido
Enquanto não se rasga
O papel do email.
Rasgar os papeis
Cortar o ar
Me parte o coração
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Querência
O desejo do amor
Não cria mais
Amor.
Dor?
O desejo de sorte
Não cria mais
Sorte.
Morte?
O desejo não.
Cria mais confusão.
Não rima
Íman de não
Caber nas mãos.
Coração?
Não cria mais
Amor.
Dor?
O desejo de sorte
Não cria mais
Sorte.
Morte?
O desejo não.
Cria mais confusão.
Não rima
Íman de não
Caber nas mãos.
Coração?
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Deu
Bem no meio
Dos lensois
Um trapo
Deitado, forçado
Mastigado e cuspido
Eu, farrapo
Depois do trato
Que você me deu
Meteu em laço
Mesmo um barato
Que foi só teu
E me fu-
Rou o coraçao
Dos lensois
Um trapo
Deitado, forçado
Mastigado e cuspido
Eu, farrapo
Depois do trato
Que você me deu
Meteu em laço
Mesmo um barato
Que foi só teu
E me fu-
Rou o coraçao
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Figuras impossíveis
Não.
A vida não é mesmo
Essa mistura
De amor e leite
Em que já nao se distingue
Se o sentimento é liquido
Ou a comida abstrata.
Não.
O agora é nunca
Pois cada vez que me adianto
Um passo
O tapete escorrega
trapaça o instante em atraso.
Não.
Dois espelhos se olhando
Nunca viverão
O infinito que carregam.
Do que sabem as imagens?
Prata, vidro, estilhaço:
Toda realidade é passível de morte.
A vida não é mesmo
Essa mistura
De amor e leite
Em que já nao se distingue
Se o sentimento é liquido
Ou a comida abstrata.
Não.
O agora é nunca
Pois cada vez que me adianto
Um passo
O tapete escorrega
trapaça o instante em atraso.
Não.
Dois espelhos se olhando
Nunca viverão
O infinito que carregam.
Do que sabem as imagens?
Prata, vidro, estilhaço:
Toda realidade é passível de morte.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
quando
Quando o futuro chegar
E o passo estiver no chão
E virar os sapatos dos pés
Pelas mãos
Vai ser então quando
Dissermos agora
Na hora
em que a festa virá
Virar o ano e o amor
Estará nos meus planos
Quando eu voltar a tocar
O piano
Virá a siesta e a sexta
e pelas noites seresta
Vão dedurar minha sorte
Afiarão os dedos
ressuscitando cortes
Mas assim mesmo só quando
Alguem verá que eu ando
Andorinhando em verão
Armando solo em sustenido
Então suspenso no ar
Chico Buarque cantando
em um sussurro gemido
To me guardando pra quando
o carnaval chegar
E o passo estiver no chão
E virar os sapatos dos pés
Pelas mãos
Vai ser então quando
Dissermos agora
Na hora
em que a festa virá
Virar o ano e o amor
Estará nos meus planos
Quando eu voltar a tocar
O piano
Virá a siesta e a sexta
e pelas noites seresta
Vão dedurar minha sorte
Afiarão os dedos
ressuscitando cortes
Mas assim mesmo só quando
Alguem verá que eu ando
Andorinhando em verão
Armando solo em sustenido
Então suspenso no ar
Chico Buarque cantando
em um sussurro gemido
To me guardando pra quando
o carnaval chegar
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
para não
Para não
perder
se em
transe
abrace
a tontura
Para não voar,
na fissura
o chão
Para não
correr
o risco
da palavra
pura
mente
dura,
Para durar,
aprender o não.
Disfarce a flor
na doçura
de um alface.
puxe a cor
que toda superficie
costura
como gente
que em vão
não se esquece
para não
parar
o coração
Enlace.
perder
se em
transe
abrace
a tontura
Para não voar,
na fissura
o chão
Para não
correr
o risco
da palavra
pura
mente
dura,
Para durar,
aprender o não.
Disfarce a flor
na doçura
de um alface.
puxe a cor
que toda superficie
costura
como gente
que em vão
não se esquece
para não
parar
o coração
Enlace.
domingo, 10 de outubro de 2010
a ordem das coisas
No cartório está descrito
Marcado no concreto do escrito:
Nascimento, casamento, Morte.
Ora mas que sorte!
A ordem das coisas
já fixou seu norte?
Nascer, crescer, envelhecer...
E se quiser rebubinar a fita?
A vida, uma linha torta,
embolada, infinita,
que importa?!
É de deixar aflita!
Começar morta,
se já antecipam a escrita.
Deixem o acaso escrever.
Amar, nascer, envelhecer e casar
antes do encontro, e ter um caso,
um flho e um nome,
um brilho no olho do homem.
Que delícia o vai e vem!
Saber logo na saída
qual era o fluxo do trem.
Afinal aquela escala,
sistema métrico de história
veio de quem?
qual memória?
que delícia a desordem!
os incomodados
que se mudem.
Marcado no concreto do escrito:
Nascimento, casamento, Morte.
Ora mas que sorte!
A ordem das coisas
já fixou seu norte?
Nascer, crescer, envelhecer...
E se quiser rebubinar a fita?
A vida, uma linha torta,
embolada, infinita,
que importa?!
É de deixar aflita!
Começar morta,
se já antecipam a escrita.
Deixem o acaso escrever.
Amar, nascer, envelhecer e casar
antes do encontro, e ter um caso,
um flho e um nome,
um brilho no olho do homem.
Que delícia o vai e vem!
Saber logo na saída
qual era o fluxo do trem.
Afinal aquela escala,
sistema métrico de história
veio de quem?
qual memória?
que delícia a desordem!
os incomodados
que se mudem.
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