Quando o futuro chegar
E o passo estiver no chão
E virar os sapatos dos pés
Pelas mãos
Vai ser então quando
Dissermos agora
Na hora
em que a festa virá
Virar o ano e o amor
Estará nos meus planos
Quando eu voltar a tocar
O piano
Virá a siesta e a sexta
e pelas noites seresta
Vão dedurar minha sorte
Afiarão os dedos
ressuscitando cortes
Mas assim mesmo só quando
Alguem verá que eu ando
Andorinhando em verão
Armando solo em sustenido
Então suspenso no ar
Chico Buarque cantando
em um sussurro gemido
To me guardando pra quando
o carnaval chegar
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
para não
Para não
perder
se em
transe
abrace
a tontura
Para não voar,
na fissura
o chão
Para não
correr
o risco
da palavra
pura
mente
dura,
Para durar,
aprender o não.
Disfarce a flor
na doçura
de um alface.
puxe a cor
que toda superficie
costura
como gente
que em vão
não se esquece
para não
parar
o coração
Enlace.
perder
se em
transe
abrace
a tontura
Para não voar,
na fissura
o chão
Para não
correr
o risco
da palavra
pura
mente
dura,
Para durar,
aprender o não.
Disfarce a flor
na doçura
de um alface.
puxe a cor
que toda superficie
costura
como gente
que em vão
não se esquece
para não
parar
o coração
Enlace.
domingo, 10 de outubro de 2010
a ordem das coisas
No cartório está descrito
Marcado no concreto do escrito:
Nascimento, casamento, Morte.
Ora mas que sorte!
A ordem das coisas
já fixou seu norte?
Nascer, crescer, envelhecer...
E se quiser rebubinar a fita?
A vida, uma linha torta,
embolada, infinita,
que importa?!
É de deixar aflita!
Começar morta,
se já antecipam a escrita.
Deixem o acaso escrever.
Amar, nascer, envelhecer e casar
antes do encontro, e ter um caso,
um flho e um nome,
um brilho no olho do homem.
Que delícia o vai e vem!
Saber logo na saída
qual era o fluxo do trem.
Afinal aquela escala,
sistema métrico de história
veio de quem?
qual memória?
que delícia a desordem!
os incomodados
que se mudem.
Marcado no concreto do escrito:
Nascimento, casamento, Morte.
Ora mas que sorte!
A ordem das coisas
já fixou seu norte?
Nascer, crescer, envelhecer...
E se quiser rebubinar a fita?
A vida, uma linha torta,
embolada, infinita,
que importa?!
É de deixar aflita!
Começar morta,
se já antecipam a escrita.
Deixem o acaso escrever.
Amar, nascer, envelhecer e casar
antes do encontro, e ter um caso,
um flho e um nome,
um brilho no olho do homem.
Que delícia o vai e vem!
Saber logo na saída
qual era o fluxo do trem.
Afinal aquela escala,
sistema métrico de história
veio de quem?
qual memória?
que delícia a desordem!
os incomodados
que se mudem.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Grãos
Grãos
De afeto refeito
Certos desse circo
Sem jeito
Em querer perto.
Aperta no peito
Circulo de concreto
É defeito
Dor-objeto.
Não digo mais
Não
A não ser
Se não me deres
As mãos
Gotas
Dágua dura
Pingam na pedra
De um coração
Em pirraça
Birra pura,
Não disfarça
Me caça, me cura
Feito atadura
Encaixe perfeito
Me abraça.
De afeto refeito
Certos desse circo
Sem jeito
Em querer perto.
Aperta no peito
Circulo de concreto
É defeito
Dor-objeto.
Não digo mais
Não
A não ser
Se não me deres
As mãos
Gotas
Dágua dura
Pingam na pedra
De um coração
Em pirraça
Birra pura,
Não disfarça
Me caça, me cura
Feito atadura
Encaixe perfeito
Me abraça.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
fantasia
Eu quero me arrepender.
tropeçar nas boas maneiras
se estabacar nas calçadas
aparecer a calcinha
ser apontada
na rua e desdizer
o rubro às bochechas
que escreve na testa.
Perder, gastar borracha,
riscar as cartas de amor
- quando já se tiverem enviado!
ridícula, esmurrar a parede,
tremer o corpo, rasgar,
rasgar, rasgar, rasgar
o arrependimento
bêbado,
entre pernas de palavras alheias,
sóbrio,
entrelinhas malditas
de quem enxerga demais.
Sou mais escrever com as secreções
deste destino escroto,
que chorar no escuro e secreto.
Sou mais a vida
dos fatos malfalados
do que das falas fadadas
a nada.
E desse desprendimento
sem pudor, corrimento
de memória, fica cicatriz
no corredor de esquecimento.
Arrepender-se com dor
para marcar a história.
Arrepender-me sem
arrependimento.
tropeçar nas boas maneiras
se estabacar nas calçadas
aparecer a calcinha
ser apontada
na rua e desdizer
o rubro às bochechas
que escreve na testa.
Perder, gastar borracha,
riscar as cartas de amor
- quando já se tiverem enviado!
ridícula, esmurrar a parede,
tremer o corpo, rasgar,
rasgar, rasgar, rasgar
o arrependimento
bêbado,
entre pernas de palavras alheias,
sóbrio,
entrelinhas malditas
de quem enxerga demais.
Sou mais escrever com as secreções
deste destino escroto,
que chorar no escuro e secreto.
Sou mais a vida
dos fatos malfalados
do que das falas fadadas
a nada.
E desse desprendimento
sem pudor, corrimento
de memória, fica cicatriz
no corredor de esquecimento.
Arrepender-se com dor
para marcar a história.
Arrepender-me sem
arrependimento.
domingo, 8 de agosto de 2010
adulta
estou aprendendo:
é preciso abrir os livros,
senão eles mofam.
é preciso regar as plantas,
se não elas morrem.
é preciso sorrir,
se não esquecemos.
é preciso cuidar, a cada ato,
que, se deixar depositar ferrugem
nas articulações do tempo,
não reimprimem os livros
não ressucitam as plantas
não volta atrás, é irreversível.
é preciso abrir os livros,
senão eles mofam.
é preciso regar as plantas,
se não elas morrem.
é preciso sorrir,
se não esquecemos.
é preciso cuidar, a cada ato,
que, se deixar depositar ferrugem
nas articulações do tempo,
não reimprimem os livros
não ressucitam as plantas
não volta atrás, é irreversível.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
gangorra
Eu não quero pensar
na hora da minha morte.
- eu penso.
Eu não quero
futucar o corte
- eu tento.
Mas um rosto, que se perde
é mais um porto,
eu sem norte.
- eu parto.
Eu não peço.
Mas se eu não esqueço
marcou sem precisar tatuagem.
Eu não quero seguir viagem
- bobagem.
não quero a vida sempre
história curta de primeiro ato.
não quero a fuga, a saída amiga
- eu queria ser formiga.
desato os nós
e as outras pessoas-plurais.
a vontade segue assim
dias menos
dias mais.
na hora da minha morte.
- eu penso.
Eu não quero
futucar o corte
- eu tento.
Mas um rosto, que se perde
é mais um porto,
eu sem norte.
- eu parto.
Eu não peço.
Mas se eu não esqueço
marcou sem precisar tatuagem.
Eu não quero seguir viagem
- bobagem.
não quero a vida sempre
história curta de primeiro ato.
não quero a fuga, a saída amiga
- eu queria ser formiga.
desato os nós
e as outras pessoas-plurais.
a vontade segue assim
dias menos
dias mais.
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