Grãos
De afeto refeito
Certos desse circo
Sem jeito
Em querer perto.
Aperta no peito
Circulo de concreto
É defeito
Dor-objeto.
Não digo mais
Não
A não ser
Se não me deres
As mãos
Gotas
Dágua dura
Pingam na pedra
De um coração
Em pirraça
Birra pura,
Não disfarça
Me caça, me cura
Feito atadura
Encaixe perfeito
Me abraça.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
fantasia
Eu quero me arrepender.
tropeçar nas boas maneiras
se estabacar nas calçadas
aparecer a calcinha
ser apontada
na rua e desdizer
o rubro às bochechas
que escreve na testa.
Perder, gastar borracha,
riscar as cartas de amor
- quando já se tiverem enviado!
ridícula, esmurrar a parede,
tremer o corpo, rasgar,
rasgar, rasgar, rasgar
o arrependimento
bêbado,
entre pernas de palavras alheias,
sóbrio,
entrelinhas malditas
de quem enxerga demais.
Sou mais escrever com as secreções
deste destino escroto,
que chorar no escuro e secreto.
Sou mais a vida
dos fatos malfalados
do que das falas fadadas
a nada.
E desse desprendimento
sem pudor, corrimento
de memória, fica cicatriz
no corredor de esquecimento.
Arrepender-se com dor
para marcar a história.
Arrepender-me sem
arrependimento.
tropeçar nas boas maneiras
se estabacar nas calçadas
aparecer a calcinha
ser apontada
na rua e desdizer
o rubro às bochechas
que escreve na testa.
Perder, gastar borracha,
riscar as cartas de amor
- quando já se tiverem enviado!
ridícula, esmurrar a parede,
tremer o corpo, rasgar,
rasgar, rasgar, rasgar
o arrependimento
bêbado,
entre pernas de palavras alheias,
sóbrio,
entrelinhas malditas
de quem enxerga demais.
Sou mais escrever com as secreções
deste destino escroto,
que chorar no escuro e secreto.
Sou mais a vida
dos fatos malfalados
do que das falas fadadas
a nada.
E desse desprendimento
sem pudor, corrimento
de memória, fica cicatriz
no corredor de esquecimento.
Arrepender-se com dor
para marcar a história.
Arrepender-me sem
arrependimento.
domingo, 8 de agosto de 2010
adulta
estou aprendendo:
é preciso abrir os livros,
senão eles mofam.
é preciso regar as plantas,
se não elas morrem.
é preciso sorrir,
se não esquecemos.
é preciso cuidar, a cada ato,
que, se deixar depositar ferrugem
nas articulações do tempo,
não reimprimem os livros
não ressucitam as plantas
não volta atrás, é irreversível.
é preciso abrir os livros,
senão eles mofam.
é preciso regar as plantas,
se não elas morrem.
é preciso sorrir,
se não esquecemos.
é preciso cuidar, a cada ato,
que, se deixar depositar ferrugem
nas articulações do tempo,
não reimprimem os livros
não ressucitam as plantas
não volta atrás, é irreversível.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
gangorra
Eu não quero pensar
na hora da minha morte.
- eu penso.
Eu não quero
futucar o corte
- eu tento.
Mas um rosto, que se perde
é mais um porto,
eu sem norte.
- eu parto.
Eu não peço.
Mas se eu não esqueço
marcou sem precisar tatuagem.
Eu não quero seguir viagem
- bobagem.
não quero a vida sempre
história curta de primeiro ato.
não quero a fuga, a saída amiga
- eu queria ser formiga.
desato os nós
e as outras pessoas-plurais.
a vontade segue assim
dias menos
dias mais.
na hora da minha morte.
- eu penso.
Eu não quero
futucar o corte
- eu tento.
Mas um rosto, que se perde
é mais um porto,
eu sem norte.
- eu parto.
Eu não peço.
Mas se eu não esqueço
marcou sem precisar tatuagem.
Eu não quero seguir viagem
- bobagem.
não quero a vida sempre
história curta de primeiro ato.
não quero a fuga, a saída amiga
- eu queria ser formiga.
desato os nós
e as outras pessoas-plurais.
a vontade segue assim
dias menos
dias mais.
noturnos
O escuro estica os lensóis
no infinito da cama
inflamando, fio a fio
até que a noite me chama.
Sussurra impuro,
imprudente, obscuro.
demora, reclama
o colchão é duro...
Não há nesta noite
um homem decente
que não entorte a verdade
no teste entre os dentes.
De barriga cheia
e alma vazia
sem nome essa gente
infame, a fama.
Um tiro sem furo
na fome procuro
até que o leite
derrama.
no infinito da cama
inflamando, fio a fio
até que a noite me chama.
Sussurra impuro,
imprudente, obscuro.
demora, reclama
o colchão é duro...
Não há nesta noite
um homem decente
que não entorte a verdade
no teste entre os dentes.
De barriga cheia
e alma vazia
sem nome essa gente
infame, a fama.
Um tiro sem furo
na fome procuro
até que o leite
derrama.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Como procurar?
Como procurar
O objeto sem forma
E sem cor?
Será furta, ofuscará
A dor de morder a fruta?
Como acostumar a vista
Pro que o olho nao alcansa?
Estará entre as revistas,
Na novela, no bar, na dança?
Comparam no verso com flor.
Com fel e com fado e com sina.
Dizem que é coisa de mulher.
Dizem que é coisa de menina.
Invisivel, esta procura que rima,
Que deixa o olhar abestado
Sem enxergar o que está
mesmo ao lado.
Sentimento sem face, eterna fase,
Não tem frase que o determina.
Aflição humana, redenção divina,
Deus nos acuda,
Já o Google nao ajuda
a procurar,
Ponha-se na lupa
aquilo que está como ar:
uma pista é amor;
infinitivo, amar.
O objeto sem forma
E sem cor?
Será furta, ofuscará
A dor de morder a fruta?
Como acostumar a vista
Pro que o olho nao alcansa?
Estará entre as revistas,
Na novela, no bar, na dança?
Comparam no verso com flor.
Com fel e com fado e com sina.
Dizem que é coisa de mulher.
Dizem que é coisa de menina.
Invisivel, esta procura que rima,
Que deixa o olhar abestado
Sem enxergar o que está
mesmo ao lado.
Sentimento sem face, eterna fase,
Não tem frase que o determina.
Aflição humana, redenção divina,
Deus nos acuda,
Já o Google nao ajuda
a procurar,
Ponha-se na lupa
aquilo que está como ar:
uma pista é amor;
infinitivo, amar.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
poema quase funk
A unha cresce
A fruta apodrece
Ai se eu soubesse
O processo é esse
A gente amando
Não se aborrece
O tempo manda
a fila anda.
A fruta apodrece
Ai se eu soubesse
O processo é esse
A gente amando
Não se aborrece
O tempo manda
a fila anda.
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