Eu me entrego.
Eu me largo de todo
para tudo que seja breve.
Na brevidade dos dias,
eu corro
e na leveza da correria
meus prantos enxugam
o peso e o estorvo.
E se das coisas mais queridas
a vida leva o desforro,
é nas despedidas que encontro os louros.
Fixo-me de partida.
O vento que carregue
toda gravidade do corpo
para faze-me pouca
em vaidade, certeza, concretude.
Tudo o que é certo,
estraga sua beleza,
enquanto aquilo que é pouco,
traz na finitude
o gôzo da sobremesa
em comeditude.
E para que a pena
não fixe no poema
com desejo satisfeito
em completude,
.
.
.
(reticências apenas)
domingo, 28 de junho de 2009
domingo, 24 de maio de 2009
faz de conta
O mundo era da janela pra dentro
e a fumaça dos carros
era incenso
e os contratempos
bolinhas de sabão.
Faz de conta
o tempo nem passou
atravessado
num poema de atrazos
o telefone tocou
a luz acendeu
o amor chegou.
e a fumaça dos carros
era incenso
e os contratempos
bolinhas de sabão.
Faz de conta
o tempo nem passou
atravessado
num poema de atrazos
o telefone tocou
a luz acendeu
o amor chegou.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Há um terror
Há um terror escondido nos cantos
de rodapé, (lá) onde o dia acumula poeiras,
este universo onírico,
vertiginoso e sempre em
revolução –
– da queda
ao abismo invertido em que infinitamente
caimos para fora da gravidade, flutuando
(flutuando para o fundo do abismo e
caindo estarrecedoramente no céu duro);
Há um terror e um mistério:
De viver muito e isso ser
Muito pouco
de rodapé, (lá) onde o dia acumula poeiras,
este universo onírico,
vertiginoso e sempre em
revolução –
– da queda
ao abismo invertido em que infinitamente
caimos para fora da gravidade, flutuando
(flutuando para o fundo do abismo e
caindo estarrecedoramente no céu duro);
Há um terror e um mistério:
De viver muito e isso ser
Muito pouco
pode demorar
Ah, insônia
esta vil companheira!
Que me dá e tira
todos os dias futuros
numa noite só.
Ah insônia,
esta pouca sorte!
Temor dos piratas
e monstros
que eu nunca fui.
Ah insônia,
antecipação da morte
que pode demorar
- e até lá, o que faremos?
esta vil companheira!
Que me dá e tira
todos os dias futuros
numa noite só.
Ah insônia,
esta pouca sorte!
Temor dos piratas
e monstros
que eu nunca fui.
Ah insônia,
antecipação da morte
que pode demorar
- e até lá, o que faremos?
On/Off
Que ninguém interrompa
quando o meteoro se chocar
na terra. Que ninguém
se choque. Que ninguém aperte
o interruptor.
Que ninguém se rompa
em lágrimas.
Contando o tempo
em maços, escarros
espaços, em passos
não dura um cigarro
- a vida é dura.
quando o meteoro se chocar
na terra. Que ninguém
se choque. Que ninguém aperte
o interruptor.
Que ninguém se rompa
em lágrimas.
Contando o tempo
em maços, escarros
espaços, em passos
não dura um cigarro
- a vida é dura.
terça-feira, 24 de março de 2009
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