Eu não quero pensar
na hora da minha morte.
- eu penso.
Eu não quero
futucar o corte
- eu tento.
Mas um rosto, que se perde
é mais um porto,
eu sem norte.
- eu parto.
Eu não peço.
Mas se eu não esqueço
marcou sem precisar tatuagem.
Eu não quero seguir viagem
- bobagem.
não quero a vida sempre
história curta de primeiro ato.
não quero a fuga, a saída amiga
- eu queria ser formiga.
desato os nós
e as outras pessoas-plurais.
a vontade segue assim
dias menos
dias mais.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
noturnos
O escuro estica os lensóis
no infinito da cama
inflamando, fio a fio
até que a noite me chama.
Sussurra impuro,
imprudente, obscuro.
demora, reclama
o colchão é duro...
Não há nesta noite
um homem decente
que não entorte a verdade
no teste entre os dentes.
De barriga cheia
e alma vazia
sem nome essa gente
infame, a fama.
Um tiro sem furo
na fome procuro
até que o leite
derrama.
no infinito da cama
inflamando, fio a fio
até que a noite me chama.
Sussurra impuro,
imprudente, obscuro.
demora, reclama
o colchão é duro...
Não há nesta noite
um homem decente
que não entorte a verdade
no teste entre os dentes.
De barriga cheia
e alma vazia
sem nome essa gente
infame, a fama.
Um tiro sem furo
na fome procuro
até que o leite
derrama.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Como procurar?
Como procurar
O objeto sem forma
E sem cor?
Será furta, ofuscará
A dor de morder a fruta?
Como acostumar a vista
Pro que o olho nao alcansa?
Estará entre as revistas,
Na novela, no bar, na dança?
Comparam no verso com flor.
Com fel e com fado e com sina.
Dizem que é coisa de mulher.
Dizem que é coisa de menina.
Invisivel, esta procura que rima,
Que deixa o olhar abestado
Sem enxergar o que está
mesmo ao lado.
Sentimento sem face, eterna fase,
Não tem frase que o determina.
Aflição humana, redenção divina,
Deus nos acuda,
Já o Google nao ajuda
a procurar,
Ponha-se na lupa
aquilo que está como ar:
uma pista é amor;
infinitivo, amar.
O objeto sem forma
E sem cor?
Será furta, ofuscará
A dor de morder a fruta?
Como acostumar a vista
Pro que o olho nao alcansa?
Estará entre as revistas,
Na novela, no bar, na dança?
Comparam no verso com flor.
Com fel e com fado e com sina.
Dizem que é coisa de mulher.
Dizem que é coisa de menina.
Invisivel, esta procura que rima,
Que deixa o olhar abestado
Sem enxergar o que está
mesmo ao lado.
Sentimento sem face, eterna fase,
Não tem frase que o determina.
Aflição humana, redenção divina,
Deus nos acuda,
Já o Google nao ajuda
a procurar,
Ponha-se na lupa
aquilo que está como ar:
uma pista é amor;
infinitivo, amar.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
poema quase funk
A unha cresce
A fruta apodrece
Ai se eu soubesse
O processo é esse
A gente amando
Não se aborrece
O tempo manda
a fila anda.
A fruta apodrece
Ai se eu soubesse
O processo é esse
A gente amando
Não se aborrece
O tempo manda
a fila anda.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
passou
O dia passou
A noite alcansou
Cansou, insistiu
Pediu, perdeu
Resistiu, cegou ...
Matou e morreu ou
Nunca chegou?
Ou fui eu
Quem piscou?
A noite alcansou
Cansou, insistiu
Pediu, perdeu
Resistiu, cegou ...
Matou e morreu ou
Nunca chegou?
Ou fui eu
Quem piscou?
vontade
O Dia Não
Passa A Tarde
Na Mão Passaros
Vão Voando
Sao Dois Esperando
A Luz Rouca
Mais Vale Estar
Só Do Que São
Três Da Tarde
O Dia Me Arde
Vontade Louca De
Grão em Grão
Mas Valerão Se
Esticar Sem Alarde
Uma Noite
Ao Alcance Da
Boca
Passa A Tarde
Na Mão Passaros
Vão Voando
Sao Dois Esperando
A Luz Rouca
Mais Vale Estar
Só Do Que São
Três Da Tarde
O Dia Me Arde
Vontade Louca De
Grão em Grão
Mas Valerão Se
Esticar Sem Alarde
Uma Noite
Ao Alcance Da
Boca
domingo, 25 de julho de 2010
Aparição
Enxergo teu nome
Atravessado na pista
Trincado num sinal de pare,
Sinal de que engana a vista.
Teu nome,
Um grande trem
descarrilhando lentamente
a cada silaba
E a vogal nao mente
Enquanto a consoante
sibila intermitente.
Teu nome invadindo
Materias de jornal
Igual lembranças impressas
Na pressa do borrão
Não!
Apariçao mal quista, mal
Improvisada, Miope, usada.
Peça de memoria imprevista.
Caligrafia malvada! Danação!
No meio da neblina
No baralho das palavras
Na invençao confusa
das esquinas
Alucinando teu nome,
Homem.
Atravessado na pista
Trincado num sinal de pare,
Sinal de que engana a vista.
Teu nome,
Um grande trem
descarrilhando lentamente
a cada silaba
E a vogal nao mente
Enquanto a consoante
sibila intermitente.
Teu nome invadindo
Materias de jornal
Igual lembranças impressas
Na pressa do borrão
Não!
Apariçao mal quista, mal
Improvisada, Miope, usada.
Peça de memoria imprevista.
Caligrafia malvada! Danação!
No meio da neblina
No baralho das palavras
Na invençao confusa
das esquinas
Alucinando teu nome,
Homem.
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