quinta-feira, 22 de julho de 2010

Pergunta

Esquerda ou direita
Qual será a certa?
Na curva sem seta
que dúvida a espreita?

Esperta ou estreita?
Acorda ou se deita?
Embora ou espera?
Revolta ou aceita?

De dia ou de Noite?
Ficou ou ja foi-se?
Tem medo da vida
E também da foice...

Não sabe se casa
Ou se bicicleta
Segura ou deixa
se saber sem meta?

Incerta em desejo
Não sabe se o eixo
acertando o prumo
é tão linha reta.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

meias verdes

Se eu sigo contando
pedrinhas no chão
"maria-joão-maria-joão"
é que perdi meus caminhos
meu ninho, meu nicho.

Os camaradas que restaram,
minhas migalhas de pão,
eu conto nos dedos.
Eu tenho virado bicho.

E o coração,
como um tendão de Aquiles
quase que esmigalha!

Enquanto eu não perco a batalha,
fantasio em versos
(universos cor-de-rosa)
que a verdadeira falha
tem sido usar meias verdes.

Quando a bainha descortina
moleca, coisa de menina,
minhas meias verdas à mostra
eu desatino
pateticamente exposta.

Deve ser isso.
Deve ser isso.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

turvo

Eu confundo
a sede com a fome
a fome com medo
o medo com teu nome.

Eu perco, sempre,
infame. Sem saber onde
o pé alcansa e quanto
um peixe consome.

As carpas, as larvas, a lama,
confundo.
É que o fundo some
se o lago
é profundo.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Balão

Eu queria um poema
pequeninodebotão
Um anelquetumedeste,
batatinhapelochao

Um mimo!
Pendurado em cordão
fino, que fizesse levantar

Seu coração que está chão,
Meu coração que é ar.

Contagem

Do primeiro encontro,
ficou um segredo
da lua enchendo
aquele céu seco.

Segundo o encontro
viagem, correndo
sem tempo pra ver
que era sonho.

O terceiro foi risonho...

E agora a emenda
buscando nos cantos
- quem sabe um soneto? -
onde é que te encontro?

Cantando?

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Até logo

Nao fizemos pedidos
Sob as estrelas
Cadentes, fomos
Embora em chamas

Não chamamos
- nos
nús
Secretamente no escuro

Não gozamos
De boa vontade
Não faremos caridade

Não fiquemos à vontade,
Nós mal nos conhecemos.

Como,
se queremos
a Vida acima
de nós mesmos,

mesmo q nós
e os nós que demos
nos deixem sós,
Como podemos?
Não nos amamos

Não juramos
Nem despedimos
Nos despimos
Até logo
Que desprendemos.

Desaprendamos.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Suspiro

Ao segurar o livro
Apoiadas nos cotovelos,
As maos tremiam.

Um murmurio suspeito repetia
No quarto ao lado
A respiraçao ofegante da avó
Deitada

Que falava sozinha com
A garota surda
Como uma porta
Pensava
Que será de mim
Quando faltar o ar para segurar
Um livro, quiçá
Um ...

Caiu com as paginas abertas
No poema de numero 36.
A ambulãncia chegou sem barulho.