segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Balão

Eu queria um poema
pequeninodebotão
Um anelquetumedeste,
batatinhapelochao

Um mimo!
Pendurado em cordão
fino, que fizesse levantar

Seu coração que está chão,
Meu coração que é ar.

Contagem

Do primeiro encontro,
ficou um segredo
da lua enchendo
aquele céu seco.

Segundo o encontro
viagem, correndo
sem tempo pra ver
que era sonho.

O terceiro foi risonho...

E agora a emenda
buscando nos cantos
- quem sabe um soneto? -
onde é que te encontro?

Cantando?

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Até logo

Nao fizemos pedidos
Sob as estrelas
Cadentes, fomos
Embora em chamas

Não chamamos
- nos
nús
Secretamente no escuro

Não gozamos
De boa vontade
Não faremos caridade

Não fiquemos à vontade,
Nós mal nos conhecemos.

Como,
se queremos
a Vida acima
de nós mesmos,

mesmo q nós
e os nós que demos
nos deixem sós,
Como podemos?
Não nos amamos

Não juramos
Nem despedimos
Nos despimos
Até logo
Que desprendemos.

Desaprendamos.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Suspiro

Ao segurar o livro
Apoiadas nos cotovelos,
As maos tremiam.

Um murmurio suspeito repetia
No quarto ao lado
A respiraçao ofegante da avó
Deitada

Que falava sozinha com
A garota surda
Como uma porta
Pensava
Que será de mim
Quando faltar o ar para segurar
Um livro, quiçá
Um ...

Caiu com as paginas abertas
No poema de numero 36.
A ambulãncia chegou sem barulho.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Silencio

Uma mosca contra a janela
me perturba o universo.
Não se mexe um verso, a pagina muda.
Cala mais ainda, um tanto perverso,
ele sabe que me perturba.

Talvez seja só a chuva...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

errado

Meu pé esquerdo
não calça meias
nem sapatos.
Não anda direito
nem reto.
Tropeça direto.
Corre feito
em paralelo.
Um defeito
sem jeito, pois
desequilibra prum lado
quando meu pé esquerdo
são os dois.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

encosta

Tem um lugar perdido
entre o céu
e o umbigo

Onde as árvores não crescem
mas à flor da pele,
algumas flores.

Um buraco negro
que me puxa pelo braço
e me prende, me rende

Um espaço
em que me perco
percorro em horas
de aperto e abraço.

Sítio em que o tempo não passa
estou morando lá, agora.
Na superfície branca e terna
(eterna)
entre a segunda vértebra
e a clavícula.

Fiz uma casinha
no vale das omoplatas
onde, à noite, tuas sardas,
brincam de iluminar as minhas.