domingo, 25 de janeiro de 2009

guerra

Não faz muito tempo
explodiu uma bomba
aqui na esquina

você perguntava

- se

sobre as pedras portuguesas
eu cravaria
meu rosto

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

caminhos

o taxi pergunta
se é lá pra perto
da cartomante.

Eu,
tanta incerteza,
ganho de brinde
um destino.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

volta

o chá

não acalma
quando se perde

O sono

Cachorro de rua

Não tem

dono

que faça
voltar

a tomar

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

costume

o novo apartamento
era maior que o antigo:
mais janelas para fechar
na hora de se esconder.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

visão

em tempos de crise
lê-se o futuro
no café solúvel:
não há borra

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

box

foda-se.
eu não quero mais

a chuva que sai
pela máquina de lavar
roupa suja

a intimidade batida
com sabão-coco
de calcinhas lavadas a mão
em constelação
no box

noites encaixotadas
de fosfobox, coisa e tal
e a minha cama virando
um quintal mal varrido.

liquidificador em curto
que bate
pessoapunhetaproduto
suco de um surto só.

domingo, 30 de novembro de 2008

tempo para o poema

não há tempo para o poema
quando tem-se que depilar as pernas.
Quando a casa é suja, e a barriga ronca
e a ferrugem impregna na janela de alumínio.

Entre o escovar de dentes e bater de portas,
entre o colesterol alto e o salto no asfalto
encerra-se o poeta.
A vida aflita não comporta
o que importa para a escrita.

O sorriso de leite
no primeiro dente do filho que chora;
O amor, que já foi embora;
A eterna sensação de que demora:
o que se vive, não se escreve.
No registro se perde
o quanto eu existo.

desisto!