É com pó de borracha
liquipaper
control zê.
Pindurar palavras
na ponta da caligrafia
bêbada feito uma bic
com a mão esquerda.
O guardanapo de bar
que não absorve nada
para fazer papel
de bobo.
Papel passado
e amassado,
todas as cartas de amor
são infames.
domingo, 17 de agosto de 2008
terça-feira, 12 de agosto de 2008
paciência
que a vida se constrói,
mas nao se controla
o que o acaso
faz com que acabe.
que nasci
com um buraco no peito.
aumenta, diminui,
toma conta do corpo...
e a maçaroca pulsante
ocupando esse espaço
nao maior que um punho cerrado
comporta todo o espaço do mundo.
que só tem medo quem tem desejo.
que poesia, quando nao mata, tambem nao engorda
que a vida é curta,
e as noites sao longas
e o tempo entre o pensamento e o ato
é de espera.
mas nao se controla
o que o acaso
faz com que acabe.
que nasci
com um buraco no peito.
aumenta, diminui,
toma conta do corpo...
e a maçaroca pulsante
ocupando esse espaço
nao maior que um punho cerrado
comporta todo o espaço do mundo.
que só tem medo quem tem desejo.
que poesia, quando nao mata, tambem nao engorda
que a vida é curta,
e as noites sao longas
e o tempo entre o pensamento e o ato
é de espera.
sábado, 9 de agosto de 2008
não aconteceu
Não aconteceu.
porém o segundo se prolonga
na descrição do segundo.
A ação
estica os braços para o mundo
enquanto perde o tempo do toque.
A ação não alcansa.
o gesto descansa em não existir.
desiste o ato em vão.
O buraco é o espaço
entre o gesto e a mão.
Não aconteceu.
ficou pendurado,
que nem dente mole
que nem gente que
não fode
mas não tira o olho.
Dessas coisas
(coisas de ainda)
não se fala.
E o que entala na garganta,
a gente bebe.
Esse momento
é a distância entre o tempo
e o que o tempo mede.
porém o segundo se prolonga
na descrição do segundo.
A ação
estica os braços para o mundo
enquanto perde o tempo do toque.
A ação não alcansa.
o gesto descansa em não existir.
desiste o ato em vão.
O buraco é o espaço
entre o gesto e a mão.
Não aconteceu.
ficou pendurado,
que nem dente mole
que nem gente que
não fode
mas não tira o olho.
Dessas coisas
(coisas de ainda)
não se fala.
E o que entala na garganta,
a gente bebe.
Esse momento
é a distância entre o tempo
e o que o tempo mede.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
subterrâneos
O quadro não fica
onde pindura a rede
O prego não tapa
o buraco na parede
O cigarro não dá
pro buraco do dente
Poema não serve
pra quem entende.
A gente entra
no buraco da roupa
O corredor vaza
pelo buraco da porta
Eu não penso
em outra coisa.
Janela não tapa
o buraco do olho
Peneira sobra sol
pra quem é caolho
Cortina é pálpebra
ou tapa-olho?
Rádio não canta
Mesa não janta
Comida não enche
Tevê não aprende
Carro só anda
A vida não.
onde pindura a rede
O prego não tapa
o buraco na parede
O cigarro não dá
pro buraco do dente
Poema não serve
pra quem entende.
A gente entra
no buraco da roupa
O corredor vaza
pelo buraco da porta
Eu não penso
em outra coisa.
Janela não tapa
o buraco do olho
Peneira sobra sol
pra quem é caolho
Cortina é pálpebra
ou tapa-olho?
Rádio não canta
Mesa não janta
Comida não enche
Tevê não aprende
Carro só anda
A vida não.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
novela
a vida é chata
quando o amor se torna um trato
de matar a barata, lavar a louça,
(o quadro torto, a cara na porta)
fazer o almoço e bater a boca
na pergunta morta:
- homem ou rato?
corta pro segundo ato:
- querida vou comprar cigarros.
- fato que eu me mato.
quando o amor se torna um trato
de matar a barata, lavar a louça,
(o quadro torto, a cara na porta)
fazer o almoço e bater a boca
na pergunta morta:
- homem ou rato?
corta pro segundo ato:
- querida vou comprar cigarros.
- fato que eu me mato.
domingo, 3 de agosto de 2008
ventilador de teto
>Não estranhe se um dia
sentir coçar a barba
E, procurando a pena das cócegas,
olhar para os lados, para o céu,
perguntando ao ventilador
no teto da madrugada
não obter resposta.
Ele não sabe que o desejo te espreita
pela janela, detrás dos espelhos
entre as tuas dobras.
Você e o ventilador nem sonham
o que te espera
pela fresta da porta
pela fresta da saia
pela fresta das pernas.
As pás calmas do ventilador de teto
cantam um giro constante
e suspenso no ar
para fazer dormir.
sentir coçar a barba
E, procurando a pena das cócegas,
olhar para os lados, para o céu,
perguntando ao ventilador
no teto da madrugada
não obter resposta.
Ele não sabe que o desejo te espreita
pela janela, detrás dos espelhos
entre as tuas dobras.
Você e o ventilador nem sonham
o que te espera
pela fresta da porta
pela fresta da saia
pela fresta das pernas.
As pás calmas do ventilador de teto
cantam um giro constante
e suspenso no ar
para fazer dormir.
sábado, 2 de agosto de 2008
botões
Desabotoa minha gola?,
ela diz, entre um vestido e outro.
O ziper emperra de propósito,
quer mesmo é ajuda na vida.
Contando homens feito os botões
que não quer descasar
porque está com as unhas feitas.
Trocando os lensóis.
Fingindo que o tempo não passa.
Um dia,
refazendo o batom
entre um e outro
lembrou que era a mãe
quem fechava o pijama.
Um pijama de flanela rosa estampada
com botões de plástico colorido em forma de flor.
E ela pedia, embora já tivesse aprendido
entre uma noite e outra, dos três anos de idade
Abotoa minha gola?
ela diz, entre um vestido e outro.
O ziper emperra de propósito,
quer mesmo é ajuda na vida.
Contando homens feito os botões
que não quer descasar
porque está com as unhas feitas.
Trocando os lensóis.
Fingindo que o tempo não passa.
Um dia,
refazendo o batom
entre um e outro
lembrou que era a mãe
quem fechava o pijama.
Um pijama de flanela rosa estampada
com botões de plástico colorido em forma de flor.
E ela pedia, embora já tivesse aprendido
entre uma noite e outra, dos três anos de idade
Abotoa minha gola?
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