Ao segurar o livro
Apoiadas nos cotovelos,
As maos tremiam.
Um murmurio suspeito repetia
No quarto ao lado
A respiraçao ofegante da avó
Deitada
Que falava sozinha com
A garota surda
Como uma porta
Pensava
Que será de mim
Quando faltar o ar para segurar
Um livro, quiçá
Um ...
Caiu com as paginas abertas
No poema de numero 36.
A ambulãncia chegou sem barulho.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Silencio
Uma mosca contra a janela
me perturba o universo.
Não se mexe um verso, a pagina muda.
Cala mais ainda, um tanto perverso,
ele sabe que me perturba.
Talvez seja só a chuva...
me perturba o universo.
Não se mexe um verso, a pagina muda.
Cala mais ainda, um tanto perverso,
ele sabe que me perturba.
Talvez seja só a chuva...
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
errado
Meu pé esquerdo
não calça meias
nem sapatos.
Não anda direito
nem reto.
Tropeça direto.
Corre feito
em paralelo.
Um defeito
sem jeito, pois
desequilibra prum lado
quando meu pé esquerdo
são os dois.
não calça meias
nem sapatos.
Não anda direito
nem reto.
Tropeça direto.
Corre feito
em paralelo.
Um defeito
sem jeito, pois
desequilibra prum lado
quando meu pé esquerdo
são os dois.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
encosta
Tem um lugar perdido
entre o céu
e o umbigo
Onde as árvores não crescem
mas à flor da pele,
algumas flores.
Um buraco negro
que me puxa pelo braço
e me prende, me rende
Um espaço
em que me perco
percorro em horas
de aperto e abraço.
Sítio em que o tempo não passa
estou morando lá, agora.
Na superfície branca e terna
(eterna)
entre a segunda vértebra
e a clavícula.
Fiz uma casinha
no vale das omoplatas
onde, à noite, tuas sardas,
brincam de iluminar as minhas.
entre o céu
e o umbigo
Onde as árvores não crescem
mas à flor da pele,
algumas flores.
Um buraco negro
que me puxa pelo braço
e me prende, me rende
Um espaço
em que me perco
percorro em horas
de aperto e abraço.
Sítio em que o tempo não passa
estou morando lá, agora.
Na superfície branca e terna
(eterna)
entre a segunda vértebra
e a clavícula.
Fiz uma casinha
no vale das omoplatas
onde, à noite, tuas sardas,
brincam de iluminar as minhas.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
post mortem
Visito o baú das coisas perdidas:
Não se distingue das prateleiras.
O baú tomou o quarto.
Visito o quarto das coisas perdidas:
Quadros que tomam paredes inteiras
paredes sem beiras se tornam internas.
Há cartas cujas palavras foram lavadas
E partes de objetos tornadas invisíveis.
A poeira cobriu os lensóis.
Os lençóis, invencíveis, cobriram a vida.
Visito a vida das coisas perdidas:
à primeira vista,
memória sem pista,
o anel que tu me deste
e não lembro quem foste.
Vão-se os dedos,
ficam os anéis.
Não se distingue das prateleiras.
O baú tomou o quarto.
Visito o quarto das coisas perdidas:
Quadros que tomam paredes inteiras
paredes sem beiras se tornam internas.
Há cartas cujas palavras foram lavadas
E partes de objetos tornadas invisíveis.
A poeira cobriu os lensóis.
Os lençóis, invencíveis, cobriram a vida.
Visito a vida das coisas perdidas:
à primeira vista,
memória sem pista,
o anel que tu me deste
e não lembro quem foste.
Vão-se os dedos,
ficam os anéis.
domingo, 18 de outubro de 2009
Felinae
O gato no quadro nem pisca
Eu tenho vc na risca
de giz e carvão
Mensagens de isca
por telefone
de quem não arrisca
Vc quer? fds?
eu sou arisca pra abreviação
se bobear, não petisca
Mais um domingo
sem um pingo
nos is.
Eu tenho vc na risca
de giz e carvão
Mensagens de isca
por telefone
de quem não arrisca
Vc quer? fds?
eu sou arisca pra abreviação
se bobear, não petisca
Mais um domingo
sem um pingo
nos is.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
nyc
Embrulhar os pés
nas raízes
de algum arranha-céu.
esfregar a cara no asfalto.
abraçar os postes.
Misturar o corpo com a cidade.
Meu coração
de tijolo vermelho
e tinta descascando
De grama, parque
bicicleta
e café aguado
dançando
debaixo da ponte
as mãos pro alto
por qualquer trocado
que empreste
uma direção
a ponte aérea
que me
aponte
nas raízes
de algum arranha-céu.
esfregar a cara no asfalto.
abraçar os postes.
Misturar o corpo com a cidade.
Meu coração
de tijolo vermelho
e tinta descascando
De grama, parque
bicicleta
e café aguado
dançando
debaixo da ponte
as mãos pro alto
por qualquer trocado
que empreste
uma direção
a ponte aérea
que me
aponte
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